A televisão está saindo de moda. É o que confirma uma pesquisa realizada pela Deloitte, que divulgou que os brasileiros passam três vezes mais tempo por semana conectados à Internet do que assistindo à televisão. O fato é expressivo e marca uma mudança drástica no mundo da comunicação. Seria o fim da televisão e o domínio absoluto da Internet?
Dificilmente. Se não levarmos em conta apenas o ponto de vista da técnica, e pensarmos sobre suas dimensões sociais e culturais, não chegaremos à conclusão de que ela irá desaparecer. Não somente o universo das novas tecnologias não condena a televisão, como a reforça.
Em um mundo onde os indivíduos são extremamente solitários, a televisão desempenha um papel de total relevância. Além de organizar a comunicação da grande maioria, ela serve para unir pessoas que estariam constantemente separadas. Ela é um vínculo social em uma sociedade individualista de massa, pois reúne todos os tipos de públicos.
Segundo o sociólogo francês Dominique Wolton, apesar de a individualização dos comportamentos ser apresentada como o contraponto necessário a uma sociedade de massa, esta é muito menos ameaçada pelo processo de massificação do que pela individualização e segmentação social. Portanto, quanto mais mídias por segmento aparecerem, mais será visível a importância das mídias generalistas como a televisão.
Assim, certamente a televisão não irá ser completamente substituída pela Internet, mas terá que sofrer diversas transformações por causa dela. A melhor característica da Web consiste em oferecer um sentimento de liberdade individual. Ao navegar por sites, o indivíduo sente-se livre, capaz de montar sua própria programação e de dominar o tempo e o espaço. Não há intermediários, filtros ou hierarquias, o que gera uma sensação de poder.
Enquanto as maiores características das novas mídias são autonomia, velocidade, domínio e interatividade, a palavra que melhor corresponde ao que é a televisão é passividade. A programação é simplesmente imposta, não há nada que o telespectador possa fazer além de assisti-la.
Por esse motivo, a televisão precisa ficar cada vez mais parecida com a Internet. Ela precisa se transformar e esse fenômeno não é inédito. O rádio, que antes ocupava uma posição central na casa de qualquer pessoa, também teve que ter seu papel reformulado. Agora a televisão também deve, com urgência, apostar na interatividade, pois só assim ela irá se salvar de tornar-se obsoleta.
É nesse âmbito que a televisão digital ou os programas que exigem a participação do público, como Big Brother Brasil ou o antigo Você Decide passam a ganhar sentido. O público gosta de poder interagir, de poder dirigir a sua própria programação. É o caso do seriado americano Lost. Por meio de fóruns, blogs, podcasts e games, a produção do programa transformou os fãs passivos em espectadores ativos. Esse é o futuro da televisão, pois jamais poderíamos viver sem ela, perderíamos todas as nossas referências sociais universais.


