Publicado por: Mari - twitter.com/mari_palma | setembro 4, 2009

Imagine.

john20lennon20rPara onde olhavam aqueles olhos pequenos e despretensiosos? As lentes arredondadas escondiam um olhar aparentemente tranqüilo, porém revolucionário e sonhador. Dizia que viver era fácil de olhos fechados, por isso os mantinha sempre abertos – a dificuldade não era obstáculo para sua incessante busca pela paz. Sonhava em mudar a realidade da época em que vivia e, para isso, utilizava sua voz como instrumento. A mesma paz que buscava, transmitia quando cantava.

     Não conseguia se expressar se não fosse pela música. Usava o canto como um grito de liberdade, alcançava a mais alta nota como se quisesse ser ouvido até do outro lado do mundo. Sua voz não era a mais bela, mas a mais verdadeira. Suave e agressiva ao mesmo tempo, tinha um som anasalado – talvez por causa do nariz comprido e irregular.

     Os cabelos finos e compridos cobriam a cabeça que se inundava de pensamentos e angústias. Nunca cortou os fios, talvez para manter aquecidos seus ideais. Sua mente guardava um humor ácido e uma personalidade complexa. Até Jesus Cristo foi alvo de suas palavras incompreendidas.

      Não, não era ateu. Acreditava em Deus, mas não como todos os outros. Para ele, Deus era uma usina de força como uma usina elétrica, um poder supremo, nem bom nem ruim, nem de esquerda nem de direita, nem preto nem branco. Para ele, Deus apenas era. Complexo de entender, mas assim era a maioria de seus pensamentos.

      Revoltava-se com o fato de viver em um mundo em que tinha de se esconder para fazer amor enquanto a violência era praticada em plena luz do dia. Queria mudar isso do seu jeito. A política adotada, além da música, era o bom humor. Orgulhava-se de ser o palhaço, pois dizia que as pessoas sérias eram aquelas que matavam e destruíam nas guerras.

      Seu rosto tranqüilo e indefeso contrariava sua atitude agressiva. Os dentes cerrados fechavam a pequena boca como quem não tinha nada a dizer. Na verdade, tinha muito a dizer. Considerava-se um sonhador, mas sabia que não era o único. Com a companhia do violão, queria gritar poder para as pessoas. Queria juntar um exército em busca de um bem comum. No fim, tudo o que John Lennon tinha a dizer era: dê uma chance à paz. 


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