Publicado por: thafleury | setembro 22, 2009

Fagundes volta ao palco com monólogo

Em cartaz com a peça “Restos”, Antonio Fagundes sobe ao palco do Teatro Faap com um monólogo dramático. Na pele de Edward Carr, o ator é um comerciante de carros que ficou viúvo há pouco tempo. Com a dor da perda, ele mergulha em reflexões profundas sobre o que foi o seu passado e o que será de seu futuro agora sem a mulher. Próximo do fim do espetáculo, o protagonista revela um segredo que choca a platéia.

A peça, que estreou na Irlanda em 2005, é do dramaturgo e cineasta americano Neil LaBute e vale a pena pela bela performance de Antonio Fagundes.

Teatro Faap (506 lugares). Rua Alagoas, 903, Pacaembu, 3662-7233. Quinta e sexta, 21h; sábado, 20h; domingo, 18h. R$ 100,00. Bilheteria: 14h/20h (qua. a sex.); 14h/19h (sáb.); 14h/17h (dom.). Cc.: D, M e V. Cd.: todos. Até 29 de novembro. (70min). 12 anos.

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Publicado por: danidolme | setembro 20, 2009

Cartier Bresson no Sesc Pinheiros

A exposição de um dos fotógrafos franceses mais importantes do século XX chegou no Sesc Pinheiros, em São Paulo, no último dia 17 de setembro.

A mostra traz 133 obras que retratam cenas do cotidiano a partir da percepção de Cartier-Bresson, que inspirado pela invenção da câmera pórtatil Laica mostrou que um novo jeito de fotografar era possível.

 “Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.
Henri Cartier-Bresson

Simiane-la-Rotonde (France, 1969)

Simiane-la-Rotonde (France, 1969)

Serviço:
Onde: Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195. Tel: 3095-9400.
Quando: 13h/22h (sáb., dom., 10h/ 19h; fecha 2ª). 
Até 20/12.
Quanto: Grátis.

Publicado por: Mari - twitter.com/mari_palma | setembro 4, 2009

Imagine.

john20lennon20rPara onde olhavam aqueles olhos pequenos e despretensiosos? As lentes arredondadas escondiam um olhar aparentemente tranqüilo, porém revolucionário e sonhador. Dizia que viver era fácil de olhos fechados, por isso os mantinha sempre abertos – a dificuldade não era obstáculo para sua incessante busca pela paz. Sonhava em mudar a realidade da época em que vivia e, para isso, utilizava sua voz como instrumento. A mesma paz que buscava, transmitia quando cantava.

     Não conseguia se expressar se não fosse pela música. Usava o canto como um grito de liberdade, alcançava a mais alta nota como se quisesse ser ouvido até do outro lado do mundo. Sua voz não era a mais bela, mas a mais verdadeira. Suave e agressiva ao mesmo tempo, tinha um som anasalado – talvez por causa do nariz comprido e irregular.

     Os cabelos finos e compridos cobriam a cabeça que se inundava de pensamentos e angústias. Nunca cortou os fios, talvez para manter aquecidos seus ideais. Sua mente guardava um humor ácido e uma personalidade complexa. Até Jesus Cristo foi alvo de suas palavras incompreendidas.

      Não, não era ateu. Acreditava em Deus, mas não como todos os outros. Para ele, Deus era uma usina de força como uma usina elétrica, um poder supremo, nem bom nem ruim, nem de esquerda nem de direita, nem preto nem branco. Para ele, Deus apenas era. Complexo de entender, mas assim era a maioria de seus pensamentos.

      Revoltava-se com o fato de viver em um mundo em que tinha de se esconder para fazer amor enquanto a violência era praticada em plena luz do dia. Queria mudar isso do seu jeito. A política adotada, além da música, era o bom humor. Orgulhava-se de ser o palhaço, pois dizia que as pessoas sérias eram aquelas que matavam e destruíam nas guerras.

      Seu rosto tranqüilo e indefeso contrariava sua atitude agressiva. Os dentes cerrados fechavam a pequena boca como quem não tinha nada a dizer. Na verdade, tinha muito a dizer. Considerava-se um sonhador, mas sabia que não era o único. Com a companhia do violão, queria gritar poder para as pessoas. Queria juntar um exército em busca de um bem comum. No fim, tudo o que John Lennon tinha a dizer era: dê uma chance à paz. 

Publicado por: rafers | junho 23, 2009

Mokaï: mais uma da série ‘endinheirados’ de SP.

Espaço da pista de dança e bares.

Espaço da pista de dança e bares.

Há algumas semanas (mais especificamente no sábado, 6), depois de problemas com alvará no mês de abril, a Mokaï (balada com sede em Miami) abriu suas portas em uma inauguração com muitos homens de camisa, mulheres de vestido e algumas personalidades da noite, como o ex-nadador Xuxa.

Sem muito alarde, o novo clube teve a presença de Rico Mansur fazendo uma rápida apresentação pelas picapes, que tinha basicamente house como som, apesar de mau equalizado.

Com entradas de R$ 100 a R$ 300, era de se esperar o público mais high de São Paulo. E foi o que deu. Homens com camisas de grifes inernacionais e sapatos lustrados e mulheres de cabelos impecáveis e salto alto. Para beber, vodka Ciroc e muito champanhe.

Nos banheiros, um toque especial: o masculino tem projeções pornográficas nas cabines e no das moçs, a frase ‘too beauty or not to be’ em neon rosa.

Christin Pior e Elza Soares também marcaram presença, na nova balada ‘para ver e ser visto’, título que deu cara à Pink Elephant, casa novaiorquina de sucesso na cidade.

Se você está com curiosidade de saber como vivem as pessoas do Gossip Girl, esta é uma boa oportunidade.

Publicado por: carolmujo | junho 23, 2009

Como descobri a dança

                     

O Ballet Nacional de Cuba interpretando Giselle

O Ballet Nacional de Cuba interpretando Giselle

         Há três meses, se eu tivesse ido a dois espetáculos de dança na minha vida toda, já seria muito. E eles foram tão pouco marcantes em minha trajetória, que eu não me recordo de nenhum deles. Foi então que eu me deparei com um desafio: precisar escrever (e cotar) semanalmente os espetáculos de dança em cartaz na cidade. Por ser uma total despreparada nesse mundo, o pânico em que me encontrei era compreensível.
          Comecei então a assistir às peças. Fui tomando gosto pela coisa e, cerca de quinze espetáculos depois, posso dizer que tenho prazer em ir ao teatro, ocupar uma cadeira e me deleitar com giros, saltos e quedas. Os de dança clássica são os meus favoritos, porém, diferentemente do que eu pensava, são os mais raros de acontecer. Fui ver o Ballet Nacional de Cuba interpretando o clássico Giselle. Não digo que foi a coisa mais bonita que eu já vi, mas posso dizer que chegou perto disso. A sincronia de passos, o cenário bucólico, a dramatização, o esforço dos bailarinos que não transparece.
          Entretanto, nem tudo foram flores nessa minha nova empreitada. Os espetáculos de dança contemporânea têm lá seu charme, mas são, em sua maioria, uma porcaria. São equipes despreparadas que beiram o escolar, bailarinos solos que pensam que passar uma hora desenhando em seu corpo pode ser considerado arte. Pode sim me faltar sensibilidade para compreender certas coisas, mas é claramente perceptível que muitos deles fazem essas dramatizações para si mesmos, sem pensar em uma platéia. As peças de improvisação costumam ser muito boas, mesmo que parecendo não ter muita preparação, o improviso se mostra espontâneo e fluido no palco. Companhias internacionais reconhecidas, como Pillobolus e Georges Momboye, exibem bailarinos atléticos e bem ensaiados; e mesmos as nacionais, com o Balé da Cidade de São Paulo, colorem os grandes palcos, a exemplo do Teatro Municipal.

Publicado por: thafleury | junho 3, 2009

Televisão em risco?

A televisão está saindo de moda. É o que confirma uma pesquisa realizada pela Deloitte, que divulgou que os brasileiros passam três vezes mais tempo por semana conectados à Internet do que assistindo à televisão. O fato é expressivo e marca uma mudança drástica no mundo da comunicação. Seria o fim da televisão e o domínio absoluto da Internet?

Dificilmente. Se não levarmos em conta apenas o ponto de vista da técnica, e pensarmos sobre suas dimensões sociais e culturais, não chegaremos à conclusão de que ela irá desaparecer. Não somente o universo das novas tecnologias não condena a televisão, como a reforça.

Em um mundo onde os indivíduos são extremamente solitários, a televisão desempenha um papel de total relevância. Além de organizar a comunicação da grande maioria, ela serve para unir pessoas que estariam constantemente separadas. Ela é um vínculo social em uma sociedade individualista de massa, pois reúne todos os tipos de públicos.

Segundo o sociólogo francês Dominique Wolton, apesar de a individualização dos comportamentos ser apresentada como o contraponto necessário a uma sociedade de massa, esta é muito menos ameaçada pelo processo de massificação do que pela individualização e segmentação social. Portanto, quanto mais mídias por segmento aparecerem, mais será visível a importância das mídias generalistas como a televisão.

Assim, certamente a televisão não irá ser completamente substituída pela Internet, mas terá que sofrer diversas transformações por causa dela. A melhor característica da Web consiste em oferecer um sentimento de liberdade individual. Ao navegar por sites, o indivíduo sente-se livre, capaz de montar sua própria programação e de dominar o tempo e o espaço. Não há intermediários, filtros ou hierarquias, o que gera uma sensação de poder.

Enquanto as maiores características das novas mídias são autonomia, velocidade, domínio e interatividade, a palavra que melhor corresponde ao que é a televisão é passividade. A programação é simplesmente imposta, não há nada que o telespectador possa fazer além de assisti-la.

Por esse motivo, a televisão precisa ficar cada vez mais parecida com a Internet. Ela precisa se transformar e esse fenômeno não é inédito. O rádio, que antes ocupava uma posição central na casa de qualquer pessoa, também teve que ter seu papel reformulado. Agora a televisão também deve, com urgência, apostar na interatividade, pois só assim ela irá se salvar de tornar-se obsoleta.

É nesse âmbito que a televisão digital ou os programas que exigem a participação do público, como Big Brother Brasil ou o antigo Você Decide passam a ganhar sentido. O público gosta de poder interagir, de poder dirigir a sua própria programação. É o caso do seriado americano Lost. Por meio de fóruns, blogs, podcasts e games, a produção do programa transformou os fãs passivos em espectadores ativos. Esse é o futuro da televisão, pois jamais poderíamos viver sem ela, perderíamos todas as nossas referências sociais universais.

Publicado por: danidolme | maio 24, 2009

Você já ouviu falar do Natty?

…bom, até a semana passada eu nunca tinha ouvido esse nome por aí, nem esse rostinho estiloso estampado em algum canal de tevê ou revista… mas o programa SOUND, uma produção britânica da BBC que passa no Multishow (toda terça-feira, das 22h às 22h30), me apresentou o Natty, um inglês de 26 anos, cheio de energia e pronto pra se destacar no mundo da música. O estereotipo de reggaeiro é nítido: os longos dreadlocks não deixam dúvidas quanto a isso. Mas há algo de diferente no som que ele faz; não é mais uma cópia de Bob Marley. Apesar de ser influenciado pelo artista, Natty conseguiu se sobressair e criar algo novo, original. Tocando acompanhado por uma banda, ele mistura elementos do reggae com algumas batidas do hip hop, da música eletrônica e faz o que eu classificaria como um ‘reggae classudo’.

“às vezes minha música é afro, às vezes folk, em outros dias indie… minha música é tudo!”

Vale a pena conferir o talento desse músico que está só começando uma carreira que tem tudo para ser bem sucedida!

A música do vídeo está no cd que será lançado em agosto (mas que já está em pré-venda no site da Amazon, por exemplo), “Man like I”, o “debut album”, como descreve o Myspace de Natty.

Para conhecer mais músicas, ver mais vídeos, acesse o site oficial http://www.nattymusic.com/ ou o Myspace http://www.myspace.com/natty4d.

Sobre o SOUND: bbc.co.uk/sound

Publicado por: danidolme | maio 18, 2009

A Rainha dos Palcos

Passado, presente e futuro de uma atriz que, a cada ano, acumula mais sucessos

Por Thalita Fleury

Karin Rodrigues já foi modelo, atuou em novelas, no cinema, no teatro, trabalhou com renomados diretores como Antunes Filho, Adolfo Celi, Bibi Ferreira e casou-se com o mais respeitado ator do teatro brasileiro, Paulo Autran. Com o relacionamento, sua carreira passou a ser sempre relacionada ao marido e, com isso, a longa trajetória artística da atriz acabou sendo deixada de lado pela mídia, como se seu sucesso resultasse somente de seu relacionamento com Autran. A verdade, desconhecida principalmente pelas novas gerações, é que Karin Rodrigues é e sempre foi muito mais do que isso.

Apesar de seu sucesso e poder aquisitivo, a atriz tem uma vida sem extravagâncias, fato que pode ser percebido já com uma rápida visita a sua casa, no bairro do Jardins, em São Paulo. Quem não gosta de cachorros deve se preparar para visitá-la. Logo na entrada, suas três cadelas vira-latas oferecem uma recepção calorosa, pulando e lambendo quem chega. As cadelas têm lugares garantidos até mesmo na sala-de-estar, local onde a atriz mais gosta de ficar. O sofá possui um pano para que elas possam deitar e a poltrona mais imponente da sala já é território marcado de uma delas. A sala tem uma decoração simples, com móveis antigos, estantes com livros e uma enorme janela com vista para um belo jardim, que está sempre cheio de pássaros por sua tranqüilidade.

Esse refúgio, tão calmo, camufla uma das mais evidentes características da atriz – sua inquietação, nem um pouco inibida por seus 72 anos. Karin Rodrigues tem dificuldades até mesmo para dar uma entrevista, já que tem que ficar sentada, sem poder se mexer demais, mudar de assunto ou poder fazer outra coisa. “A dona Karin não pára quieta um minuto, ela é muito rápida”, conta Nalva, a empregada que trabalha em sua casa.

Mesmo tendo esse perfil, sua rotina é calma e imprevisível. Acorda cedo, toma café, passeia durante 40 minutos com suas cadelas, volta pra casa, limpa a sujeira que elas fazem no quintal, alimenta os pássaros que pousam no seu jardim e lê jornal. É neste momento que, segundo ela, começa seu dia. “Aí eu gosto de ter sempre uma página em branco, de nunca estar programada pra nada”, conta a atriz. Muitas vezes, porém, ela preenche essa página lendo livros e mais livros. Em cada canto de sua casa há uma estante abarrotada deles. São de todos os tipos e autores: João Guimarães Rosa, Orson Welles, Freud, José Saramago, Paulo Francis, Machado de Assis, Clarice Lispector. Obras de literatura brasileira, russa, americana, alemã, inglesa, francesa, japonesa, ensaios sobre física quântica, livros de psicanálise. A impressionante quantidade de livros é resultado de uma coleção acumulada pela atriz desde seus 20 anos. “São amigos que eu tenho. Eu sempre falo que vou começar a relê-los e não comprar mais. Mas não consigo”, diz. Naquele momento, o livro que estava com a página marcada em sua mesa de centro era “Ganhando meu pão”, de Gorki.

A paixão pela cultura e a vontade de ser atriz surgiu já na adolescência, logo após ter feito um pequeno papel em uma peça apresentada no Teatro Municipal, de uma companhia alemã. “Eu adorei o cheiro da coxia, o público, o nervoso da estréia. Achei aquele mundo maravilhoso”, lembra. O sonho de entrar na Escola de Artes Dramáticas, no entanto, foi colocado de lado por seu padrasto, que dizia que teatro não era coisa para moça de família. Por conta disso, ela teve que esperar para ter sua própria vida até que chegasse o momento que pudesse escolher o próprio futuro. Casou-se, virou dona de casa, teve dois filhos. Apenas depois disso, com 30 anos, é que pôde fazer aquilo que sempre desejou.

O seu primeiro passo não foi a busca pelos palcos. Como era muito bonita, apresentou-se a um fotógrafo e, depois disso, começou a fazer propagandas. Suas fotos começaram a aparecer nas revistas Manchete, Cruzeiro, Claudia. Assim, enquanto a vontade de atuar não a deixava, ela foi tecendo seus contatos. Dentre eles, estava o produtor de teatro Abílio Pereira de Almeida. Eles costumavam jogar tranca e foi em uma dessas partidas que ele perguntou se ela gostaria de fazer uma peça dele. Karin aceitou, estreando em “Deusa Vencida”, no teatro que na época se chamava Paramount.

Depois disso, acabou indo fazer televisão. Foi contratada pela Globo, fez várias novelas, mas como filmava no Rio de Janeiro, acabou cansando de ter que viajar sempre. Filmes, sempre fez poucos. Por causa de seu perfil europeu (cabelos loiros e olhos azuis) acabou não podendo participar da onda de filmes completamente voltados para a cultura nacional. Acabou optando definitivamente pelo teatro. “Em novela você trabalha das 7 da manhã até 7 da noite, nunca sabe quando vai gravar de novo, não pode marcar nada, você fica a serviço só daquilo”, explica. Ela prefere o teatro porque, além de ter um horário mais fixo, considera o contato ao vivo de maior qualidade.

Foi graças ao teatro que Karin Rodrigues encontrou o companheiro da sua vida, o ator Paulo Autran. Eles se conheceram em 1970, enquanto faziam a peça “Em família”, um texto do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho. Mas apenas após 4 anos é que ficaram amigos, enquanto faziam o grande sucesso “Ecos”. A amizade foi se fortalecendo até que eles começaram a ter um relacionamento amoroso. Vinte e cinco anos depois, eles oficializaram o casamento. Entre 1975 e 2007, fizeram 19 peças juntos.

Hoje, a atriz parece seguir os passos de Autran, que atuou até o fim de sua vida. Ela acabou de gravar o filme “Briga de Vizinhas”, uma comédia na qual interpreta a irmã de Eva Wilma e Vera Mancini. Agora, começa ensaiar a peça “Mãe é carma”, dirigida por Elias Andreato. Ela diz que sente uma sensação de vazio por fazer uma peça sem o marido após tantos anos. “Contracenar junto dele, com ele lendo o texto, dando palpite, ensaiando, era um céu. É muito esquisito agora, mas tenho que superar”, desabafa. O que é certo é que a contagiante alegria de Karin Rodrigues parece poder superar qualquer obstáculo. Como ela mesma diz, “se eu tenho talento pra alguma coisa, é pra viver”. Com toda sua energia, a atriz ainda promete importantes contribuições para o teatro nacional. Afinal, ela é a prova viva do ditado popular “por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher”.

Publicado por: danidolme | abril 29, 2009

All you need is love*

Pegando carona no post da Mari, tenho uma recomendação para fazer! Todo beatlemaníaco que se preze, já deve conhecer… Mas, pra quem não viu ainda, vale a pena conferir a produção norte-americana Across the Universe, de 2007.

O filme conta a história de amor de dois jovens, Jude e Lucy, em meio à guerra do vietnã e todo o desenrolar do movimento “peace&love”, na década de 60; tudo isso ao som de Beatles. Muito mais do que um simples musical, a produção recria momentos históricos marcantes, permeando-os com o sentimentalismo das relações estabelecidas entre os protagonistas: o casal de irmãos Max e Lucy, Jude, Sadie, Jo-Jo e Prudence.

Com novos arranjos, as 33 músicas do quarteto mais amado de Liverpool são cantadas pelo grupo, com direito a pelo menos um solo para cada um. A escolha delas, é claro, não foi aleatória, e contribuem para contar a história, escrita e dirigida por Julie Taymor.

Confira um trecho aqui e aproveite o feriado para conferir na íntegra!

Ah! Tem uma participação especial no filme sensacional (fica a seu critério decidir se no sentido positivo ou irônico da palavra): Bono Vox, mostrando que além de cantar, sabe dançar, sapatear, atuar…

Publicado por: thafleury | abril 28, 2009

O quadro da tragédia

A história de seis sobreviventes da bomba atômica contada por um mestre da reportagem

Considerada por muitos a maior reportagem do século XX, Hiroshima, de John Hersey, expõe o triste quadro pintado em seis de agosto de 1945, o da bomba atômica que castigou a cidade japonesa. É como se ele tirasse a tela de um lugar onde poucas pessoas a podiam ver e a transferisse para um espaço de destaque, onde passou a ser vista por um outro ângulo. Foi assim, publicando inicialmente na The New Yorker a reportagem que se transformaria em livro, que Hersey fez com que os norte-americanos vissem com outros olhos a destruição que seu país havia causado – dos 245 mil habitantes de Hiroshima, 100 mil morreram de imediato e outros 100 mil ficaram feridos graças à explosão bomba atômica.

Hesery conta a tragédia que se passou em Hiroshima por meio da humanização das vítimas da bomba, que muitas vezes são lembradas apenas como dados e não como indivíduos. O livro inteiro é baseado nas experiências narradas por seis sobreviventes, quatro homens e duas mulheres, um ano depois da explosão e quarenta anos mais tarde. Graças à admirável apuração, sentimos como se estivéssemos vendo as cenas relatadas por cada um deles com seus próprios olhos, tamanho é o impacto que Hersey consegue obter do leitor. Conhecemos a fundo como eles são e o que eles pensam. Aquele que não sabe que o livro se trata de uma reportagem sem dúvida alguma pode se deixar levar a ponto de pensar que aquilo que lê é ficção. Foi por esse estilo envolvente e diferenciado de contar uma história real que Hersey foi considerado um dos precursores do New Journalism.

É com essa riqueza de detalhes que o autor consegue ir muito além dos estragos causados pela explosão, nos oferecendo um impressionante retrato da cultura japonesa, tão contrastante com a cultura ocidental. Surpreende, por exemplo, a culpa que aqueles que não foram feridos na hora da explosão sentem pelos outros. É com esse sentimento que o reverendo Tanimoto, um dos personagens, pronuncia a frase “Desculpe-me por não carregar um fardo igual ao seu” para todos os feridos, uma vez que saiu ileso da explosão. Isso também pode ser percebido pelo fato de os japoneses que resistiram à tragédia não se chamarem de sobreviventes, mas de hibakusha, que significa “pessoas afetadas pela explosão”. A palavra “sobrevivente” seria um desrespeito aos mortos.

As falhas do autor são difíceis de ser encontradas. A mais evidente delas talvez tenha sido mergulhar em apenas um lado da história, o dos japoneses, sem dar ao leitor noção alguma do que acontecia do outro, o dos norte-americanos. Um dos princípios do jornalismo sempre foi mostrar todos os ângulos de um fato e, se objetivo do autor era fazer uma reportagem, seu livro deveria ter seguido esse princípio. Se Hersey tivesse usado metade de seu poder de apreensão dos fatos entrevistando e convivendo com os norte-americanos que vivenciaram esse episódio da Segunda Guerra Mundial, seu relato seria ainda mais rico, oferecendo ao leitor um panorama muito mais completo sobre o que significou o lançamento da bomba atômica.

Apesar de mostrar apenas uma das faces do ocorrido, essa única merece a atenção do leitor. Hersey conta a história de Hiroshima com imensa riqueza de detalhes e mostra que estão errados aqueles que pensam que jornalismo literário não pode ser considerado como verdadeiro jornalismo. Ele sempre demonstra preocupação em mesclar informações precisas, como dados numéricos, em meio às vivências dos seis sobreviventes. São esses dados, colocados em destaque ao final da obra, que angustiam quem a lê. Nas últimas páginas, o autor intercala a narrativa da tragédia com notícias que contam sobre o avanço das tecnologias da bomba atômica em diversos países, mesmo após as conhecidas terríveis conseqüências causadas por ela. Assim, é escancarada a possibilidade de um livro igual a Hiroshima ter de ser reescrito tendo alguma outra cidade como título. Apenas em Hiroshima nasceram flores por cima das cinzas.

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